Golpe do Leilão Falso: Não jogue seu dinheiro fora! Aprenda a identificar
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Comprar um carro ou uma moto por um preço mais baixo é o sonho de muita gente. O leilão é uma ótima forma de conseguir isso, mas os criminosos sabem disso e criaram o golpe do leilão falso. Eles montam sites que parecem de verdade, usam logotipos oficiais e enganam até quem é esperto.
Se você está de olho em um lote, pare tudo e leia este guia. Vamos te mostrar como os bandidos agem e o que você deve conferir antes de dar qualquer lance.
Como o golpe do leilão falso funciona na prática?
Os criminosos não ficam parados esperando você entrar no site deles; eles vão até onde você está. Ou seja, investem dinheiro em propaganda para que o golpe apareça na sua tela como se fosse uma oportunidade de ouro.
Sabe quando você está rolando o feed do Facebook ou Instagram e aparece um carro lindo com o selo do Detran ou da Receita Federal e um preço lá embaixo?
Os golpistas pagam para essas redes sociais mostrarem o anúncio justamente para quem tem interesse em carros ou motos. O selo oficial é falso, usado apenas para passar autoridade.
Acontece também quando você pesquisa “leilão de motos barato” no Google, os primeiros resultados que aparecem com a palavra “Anúncio” ao lado podem ser perigosos. Os golpistas compram essas palavras-chave para ficarem no topo, acima dos sites verdadeiros.
Preste atenção em grupos de ofertas no WhatsApp e Telegram. Isso porque, eles entram em grupos de bairro, de compra e venda ou de “desapego” e jogam links com frases chamativas: “Última oportunidade: Leilão de veículos apreendidos pela Polícia, lances a partir de R$ 2.000!”.
Como a mensagem vem de dentro de um grupo que você já participa, a sua guarda baixa e você acaba clicando. Além disso, raramente usam nomes desconhecidos.
Eles criam sites com nomes que lembram grandes empresas, como “Sodré Santoro Oficial”, “Leilão Porto Seguro” ou “Pátio do Detran SP”, mudando apenas uma letra ou o final do endereço para te confundir.
Como eles te convencem
Depois que você clica no link e entra no site, começa um verdadeiro espetáculo montado para te passar segurança e, logo em seguida, te desesperar para você pagar logo.
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O site impecável: o site não é “feio” ou mal feito. Pelo contrário: ele é moderno, tem cadeado de segurança (que hoje em dia qualquer um consegue colocar), fotos de alta qualidade e até um cronômetro regressivo que fica rodando: “Faltam 05 minutos para o encerramento deste lote”. Isso serve para te dar ansiedade.
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O atendimento humanizado pelo WhatsApp: assim que você faz um cadastro falso, um “consultor” te chama. Ele usa foto de terno, perfil comercial e um linguajar muito profissional. Ele te envia o “Edital do Leilão” (que é um documento PDF falso, mas muito bem formatado) e tira todas as suas dúvidas sobre o veículo.
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A falsa vitória (o golpe do arremate): Pouco tempo depois, o golpista te parabeniza: “Parabéns! Você venceu o lance e acaba de arrematar o veículo X por R$ 18.000!”. Você sente aquela alegria de ter feito um baita negócio. É nesse momento de euforia que eles dão o bote.
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O gatilho da urgência e do medo: imediatamente após a “vitória”, o tom muda levemente. Eles dizem que você precisa enviar o comprovante de pagamento em até 1 hora, caso contrário, o lote passará para o segundo colocado e você será multado em 20% do valor do lance por “desistência”. Com medo de perder o dinheiro da multa ou perder o carro dos sonhos, muita gente faz o Pix sem conferir o nome de quem está recebendo.
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Documentação falsa de “liberação”: para selar a confiança, eles chegam a enviar fotos de documentos do carro com o seu nome (editados no Photoshop) para provar que “já está tudo pronto”, faltando apenas o seu pagamento para liberarem a entrega por guincho.
Checklist de segurança: 5 sinais de alerta
Antes de dar qualquer lance ou, principalmente, de fazer qualquer transferência, você precisa passar o site por este “filtro de segurança”.
Se o leilão que você encontrou apresentar apenas um desses sinais, pare tudo: as chances de ser golpe são de 99%.
1. O endereço do site: o detalhe que ninguém olha
A maioria das pessoas olha apenas o desenho do site, mas o segredo está lá em cima, na barra de endereços (a URL). Os golpistas usam nomes que confundem, como www.leiloes-detran-oficial.com ou www.patiosodre.org.
No Brasil, sites de empresas e leiloeiros oficiais terminam quase sempre em .com.br. Desconfie de endereços que terminam apenas em .com, .net, .org ou que possuem hífens e palavras repetidas.
Outro truque é usar o nome de um banco famoso seguido de “leilões”, mas o endereço real não ter nada a ver com o site oficial do banco.
2. O destinatário do dinheiro: o teste do “Nome no Pix”
Este é o ponto mais importante de todos. Em um leilão de verdade, o dinheiro nunca vai para a conta de uma pessoa física comum (um CPF) e raramente vai para uma empresa (CNPJ) que você nunca ouviu falar.
Isso porque, o pagamento de um leilão oficial é feito diretamente na conta do Leiloeiro Oficial (que é uma pessoa registrada na Junta Comercial) ou por meio de uma guia oficial do Estado (como o DARE ou o GARE, no caso de leilões do Detran).
Sendo assim, se na hora de confirmar o Pix aparecer o nome de alguém que você não conhece ou de uma empresa de “consultoria” ou “pagamentos”, não confirme. É ali que o seu dinheiro some para uma conta “laranja”.
3. A barreira da visitação: o carro “fantasma”
Todo leilão legítimo permite que você visite o pátio. Eles até incentivam que você leve um mecânico para avaliar o estado do motor e da lataria. O golpista, por outro lado, cria mil dificuldades.
Eles costumam dizer que o pátio está em reforma, que as visitas foram suspensas por questões de segurança sanitária ou que o veículo já está em um caminhão pronto para entrega e não pode mais ser visto.
Mas lembre-se: quem não deve, não teme. Se você não pode ver o que está comprando pessoalmente, você não está em um leilão, está em uma armadilha.
4. Preços que desafiam a realidade
O leilão é um lugar para bons negócios, mas não para milagres. Os golpistas usam fotos de carros de luxo ou caminhonetes novas com lances iniciais de R$ 5 mil ou R$ 10 mil. Eles sabem que o sonho do “carro próprio” fala alto, e usam esse preço baixo para cegar o seu julgamento.
Por isso, compare sempre com a Tabela Fipe. Se um veículo está sendo oferecido por menos da metade do valor de mercado, desconfie imediatamente.
Um leiloeiro real quer vender pelo maior preço possível para lucrar com a comissão; só o golpista quer vender “baratinho” para garantir que você morda a isca rápido.
5. Documentação e editais “Fake”
Um leilão de verdade é regido por um documento chamado Edital. Os sites falsos também colocam editais lá, mas eles são genéricos, com erros de português ou com logotipos de órgãos que nem fazem sentido estarem juntos (como o logo da Polícia Federal em um leilão de banco).
Além disso, desconfie se o site exibir fotos de documentos do veículo (CRLV) já com o seu nome ou com carimbos de “liberado”. O documento de um carro de leilão só é transferido para o comprador depois de todo o processo legal, que leva dias ou semanas.
Se te prometerem o documento no seu nome em 24 horas após o Pix, é mentira.
Passo a Passo para conferir se o leilão é verdadeiro

Não confie apenas no que o site diz; você precisa ser um detetive antes de abrir a carteira. O processo de verificação é simples e não custa nada, apenas alguns minutos da sua atenção.
O primeiro e mais importante passo é a Consulta na Junta Comercial. Todo leiloeiro que atua no Brasil precisa, obrigatoriamente, estar matriculado na Junta Comercial do estado onde ele trabalha.
Para conferir, basta pesquisar no Google por “Lista de leiloeiros oficiais” seguida da sigla do seu estado (ex: JUCESP para São Paulo, JUCERJA para o Rio). Dentro desses sites oficiais do governo, você digita o nome do leiloeiro que aparece no edital.
Se o nome dele não constar na lista de “Ativos” ou se o número da matrícula for diferente, você está diante de um impostor.
Outra ferramenta poderosa e gratuita é o Google Maps. Os sites falsos costumam inventar endereços de pátios em regiões industriais ou beira de rodovias para parecerem reais. Pegue o endereço que consta no rodapé do site e jogue no mapa.
Use a função “Street View” para ver a imagem da rua. Muitas vezes, o endereço indicado é um terreno baldio, um prédio residencial ou até uma empresa que não tem nada a ver com leilões. Se o local parecer suspeito ou não tiver uma placa bem grande com o nome do leiloeiro, desconfie na hora.
Por fim, faça uma triangulação de contatos. Nunca use apenas o número de WhatsApp que está saltando na tela do site. Procure o nome da empresa de leilões em sites de busca ou no “Reclame Aqui”.
Assim, ligue para o número fixo que você encontrar de forma independente e pergunte se aquele leilão específico está mesmo acontecendo. Lembre-se: o golpista controla o chat do site dele, mas ele não controla as informações oficiais que estão na internet.
Caí no golpe do leilão falso! O que eu faço agora?
Se você percebeu que foi vítima de um golpe do leilão falso após ter feito o pagamento, o desespero é normal, mas você precisa agir com a cabeça fria e muita rapidez. Cada minuto conta para tentar recuperar o seu suado dinheiro.
A primeira atitude é acionar o Mecanismo Especial de Devolução (MED). Se o pagamento foi feito via Pix, entre em contato imediatamente com o seu banco, pelo chat do aplicativo ou pelo telefone de emergência, e informe que você foi vítima de uma fraude.
O banco iniciará um bloqueio preventivo na conta de quem recebeu o dinheiro. Se os valores ainda estiverem lá, há uma chance real de você receber o estorno. Não espere o dia seguinte; faça isso no exato momento em que perceber o erro.
Em seguida, você deve registrar o Boletim de Ocorrência (B.O.). Hoje, quase todos os estados brasileiros permitem que isso seja feito online, pela Delegacia Eletrônica.
Detalhe tudo o que aconteceu: anexe o comprovante da transferência, prints das conversas no WhatsApp, o link do site falso e os nomes que foram usados.
O B.O. é um documento essencial não apenas para a investigação policial, mas também para reforçar o seu pedido de contestação junto às instituições financeiras.
Por fim, tente denunciar o site e o anúncio. Denuncie o perfil que te enviou o link nas redes sociais e use ferramentas como o “Google Safe Browsing” para reportar que aquele site é perigoso.
Isso ajuda a fazer com que o navegador de outras pessoas mostre um alerta de “site perigoso”, evitando que novos trabalhadores percam suas economias para esses criminosos.
Proteja o seu suado dinheiro!
Comprar em leilão é uma ótima forma de economizar, desde que seja feito com calma e segurança. Os criminosos contam com a sua ansiedade de “fazer um bom negócio rápido”.
Lembre-se: A pressa é a melhor amiga do golpista. Se tiver dúvida, não pague. Pergunte para alguém que entende ou procure os canais oficiais do Detran e da Receita Federal.
Gostou desse conteúdo? Agora você já sabe como se proteger do golpe do leilão falso, compartilhe no grupo de amigos e da família. Um simples link enviado pode salvar o dinheiro de alguém que você gosta!